Refúgio Céu de Areia - Como pequenos gestos transformaram um Airbnb na Bahia em uma experiência sensorial memorável
- Laene Carvalho

- 20 de out. de 2025
- 3 min de leitura
Quando o espaço é bonito, mas ainda não toca
Há casas que têm tudo para encantar: uma luz bonita, um clima acolhedor, uma brisa constante que atravessa as janelas. Mas, por algum motivo, os elogios não passam do básico e comum: localização, silêncio, praticidade.
Foi assim que começou esse projeto. Uma casa com alma, mas que ainda não entregava aquilo que, intuitivamente, queria oferecer. O desejo era claro: não reformar, e sim revelar. Criar uma experiência de acolhimento verdadeira, sem precisar de grandes obras ou investimentos fora do alcance.
A transformação: leve, estratégica e sensorial
A proposta da consultoria foi revelar o que o espaço já tinha de melhor, refinando sensações e organizando o invisível. Trabalhamos em três camadas principais:
1. Microajustes espaciais que alteraram a percepção
A primeira etapa foi compreender como o espaço se comportava em termos de fluxo, luz natural e distribuição energética. Sem alterações estruturais, redesenhamos a ocupação dos ambientes a partir da lógica sensorial: observamos o caminho da luz ao longo do dia, os pontos de bloqueio invisíveis, os excessos que comprometiam a fluidez.
A partir disso, pequenos deslocamentos estratégicos (muitas vezes imperceptíveis a olhos leigos) revelaram novas sensações de leveza, amplitude e acolhimento. A casa não foi reformada, mas passou a se apresentar de outro jeito. Como se, enfim, respirasse no ritmo certo.
2. Ritualização sensorial da chegada e da partida
Mais do que um lugar para dormir, o espaço precisava se tornar uma recepção em si...Um convite à presença desde o primeiro contato. Para isso, criamos pequenos rituais que guiaram a jornada do hóspede do início ao fim, ativando seus sentidos de forma natural e delicada.
A chegada passou a ser silenciosamente anunciada por gestos de cuidado: sons escolhidos com intenção, aromas acolhedores e sugestões sensoriais que conduziam o visitante a habitar o espaço com mais atenção e prazer.
A despedida, por sua vez, deixou de ser apenas uma partida. Incorporamos um toque simbólico que marca o fim da experiência com afeto e presença, reforçando a sensação de que cada detalhe foi pensado.
Nada foi grandioso. Tudo foi intencional. E é justamente isso que transforma um simples check-in em memória emocional.
3. Comunicação com presença e sensibilidade
A experiência de hospitalidade não começa na porta da casa, ela começa nas palavras. E por isso, uma parte essencial do trabalho foi alinhar a linguagem usada nos canais de comunicação com a atmosfera que o espaço prometia entregar.
Cada mensagem automática foi revista com atenção à presença: o vocabulário se tornou mais gentil, os tempos verbais mais envolventes, e o tom mais humano, sem perder a clareza.
O hóspede passou a se sentir acolhido desde o primeiro contato, percebendo, ainda antes da chegada, que aquele espaço não seria apenas mais uma estadia. Havia algo de diferente. Algo que conversava com ele de forma afetiva, mas natural.
A comunicação passou a refletir o que se viveria ali: delicadeza, ritmo e intenção.
O impacto real: quando os comentários mudam de tom...E o valor também...
Com o tempo, algo começou a mudar nas avaliações. As mensagens deixaram de ser genéricas e passaram a trazer detalhes antes despercebidos: a luz suave da tarde entrando pela janela, o aroma acolhedor ao abrir a porta, a sensação de paz ao deitar na rede.
Palavras como “energia boa”, “cuidado”, “encanto” e “experiência” se tornaram frequentes.
Mas o mais interessante não foi apenas o tom das avaliações. Foi o efeito prático que isso gerou.
A percepção de valor aumentou (mesmo sem reformas ou investimentos altos) e, com isso, surgiu a possibilidade de ajustar o valor da diária, atrair um novo perfil de hóspede e se posicionar com mais força no mercado de hospedagens.
Mais do que hóspedes satisfeitos, surgiram hóspedes conectados. Que indicam. Que voltam. Que sentem.
E é nesse ponto que entendemos: a hospitalidade sensorial não é um custo, é uma estratégia de valor e diferenciação.
Quando a hospitalidade é sentida, não precisa ser explicada
Este projeto mostrou que não é o tamanho da mudança que transforma a experiência, mas a intenção por trás de cada gesto. Quando um espaço começa a falar com quem chega, quando os sentidos são ativados com sutileza, quando o cuidado se revela até no silêncio... a hospitalidade deixa de ser serviço e passa a ser memória.
E é exatamente isso que eu faço: transformo espaços em presença, marcas em sentimento, e momentos em lembrança.
Se você sente que seu espaço também tem algo a dizer, mas ainda não sabe como contar essa história, talvez o próximo projeto que vamos revelar juntos seja o seu.
Vamos conversar? Me envie uma mensagem e descubra como a hospitalidade sensorial pode transformar o que já é belo em algo inesquecível.
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