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Delivery: A nova fronteira da hospitalidade ou um atendimento frio e despersonalizado?

  • Foto do escritor: Laene Carvalho
    Laene Carvalho
  • 18 de jul.
  • 4 min de leitura

Morei no Chile por sete anos. Anos intensos, bonitos, cheios de descobertas. Lá me formei como lighting designer, enóloga e aprofundava todos os dias minha relação com o sensorial, com a gastronomia, com o cuidado em receber.


Hoje, estou em Saskatoon, no Canadá. Uma nova fase. Uma cidade menor, com outra energia mas que, como qualquer lugar, também merece experiências que encantem.


Ontem, movida pela nostalgia e pela lembrança de um chef amigo que acabou de lançar uma linha de delivery autoral em Santiago, me bateu vontade de comer japonês. Aquele japonês que conforta, que respeita a estética e a técnica. Que chega bem apresentado, como um gesto de carinho, mesmo que embalado em plástico.


Sabendo que estou há pouco tempo por aqui e ainda sem grandes referências locais, recorri ao app de entregas. Escolhi o restaurante mais bem avaliado. Fiz o pedido com expectativa moderada, já consciente de que sabores e estilos mudam de país para país (E está tudo bem com isso). A comida japonesa no Brasil não é igual à do Japão. A do Chile não é igual à do Canadá. E nem precisa ser.


Mas uma coisa que não pode mudar, independente da geografia, é o cuidado.


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Não é frescura esperar uma boa comida. É respeito.


O sushi chegou mal fechado. Peças estouradas, sem uniformidade, quase sem forma. A montagem era descuidada, os sabores descompensados. Faltava coerência, faltava alma, faltava técnica e presença.


E aqui faço uma pausa importante.


Isso não é uma crítica por “exigência estética” ou “paladar refinado demais”.É sobre algo mais profundo: o respeito pela experiência do outro. O respeito pelo dinheiro investido. O respeito por quem pede comida como um afago, como companhia, como pausa afetiva no meio de uma rotina difícil.


Porque nem sempre um pedido de delivery é apenas sobre matar a fome.


Às vezes, é saudade. Às vezes, é tentativa de conforto. Às vezes, é o desejo genuíno de viver uma experiência boa, mesmo dentro de casa.


Por isso, a experiência sensorial e o cuidado precisam continuar, mesmo quando o cliente está a quilômetros de distância e você não o vê. Hospitalidade não termina quando o pedido sai do restaurante. Ela só se adapta.


3 princípios sensoriais para transformar seu delivery em uma experiência memorável


Se você trabalha com comida, saiba: o delivery é uma extensão do seu salão. Ele é sua marca entrando na casa de alguém. E isso carrega responsabilidade.


Aqui vão três dicas técnicas, sensoriais e surpreendentes que podem elevar sua entrega a outro nível:


O visual continua sendo a primeira mordida

Insight técnico: o cérebro humano decide se vai gostar de algo nos primeiros 3 segundos de contato visual. Invista em uma montagem cuidadosa, mesmo para delivery. Use embalagens que valorizem as formas, evitem amassos e mantenham as cores vivas dos ingredientes. A apresentação deve gerar desejo antes mesmo da primeira garfada.


2. Aromas preservados valem mais que brindes

A escolha da embalagem afeta diretamente o aroma que chega ao cliente. Materiais plásticos ou com vedação ruim podem alterar ou comprometer o cheiro da comida.


Dica sensorial: prefira embalagens com tampas seguras e furos controlados — que evitem vapor excessivo, mas mantenham o perfume essencial do prato. Um bom aroma pode salvar uma primeira impressão.


3. Texto, bilhete ou mensagem: crie um gesto humano

Uma linha escrita à mão, um cartão com instruções de consumo ou até uma pequena mensagem impressa com a assinatura do chef muda completamente a relação com o cliente.


Exemplo: “Seu prato foi finalizado agora há pouco. Se quiser, aqueça por 5 segundos o molho de missô e aproveite esse toque mais encorpado.”


Isso é cuidado. Isso é presença.


Hospitalidade não depende de metrópole. Depende de intenção.


Muita gente define Saskatoon como uma cidade de porte médio — e com isso, muitas vezes, vem junto a ideia equivocada de que não se pode esperar muito daqui. Que bons serviços, alta gastronomia ou experiências sensoriais completas só são possíveis em grandes centros urbanos.


Com todo respeito: isso não é verdade.


Já vivi em cidades grandes e pequenas. E posso afirmar com propriedade: a excelência não é geográfica. Ela é uma escolha.


Saskatoon tem um potencial gastronômico enorme. Já fui recebida com brilho nos olhos em cafés locais. Já vi produtos artesanais que exalam identidade, afeto e cuidado. Já entrei em pequenos restaurantes que me trataram melhor — e serviram uma comida muito melhor — do que muitos lugares estrelados por onde já passei.


Então, não. O cliente não deve se conformar com o mediano. E o profissional não deve oferecer o mínimo com a desculpa da localização.


Seu cliente está entregando tempo, expectativa e dinheiro. Ele merece receber, no mínimo, intenção.

Conclusão: a entrega é o novo salão


O delivery não é “menos importante” do que o atendimento presencial. Ele só exige outras formas de cuidado. Outros gestos. Outras camadas de presença.


Mas no fundo, é a mesma hospitalidade que se adapta .É a mesma responsabilidade com a experiência do outro.


Que os restaurantes e profissionais que trabalham com comida, aqui em Saskatoon ou em qualquer lugar do mundo, entendam: não se trata apenas de enviar um pedido.


Se trata de tocar alguém. De criar memória. De alimentar corpo e alma com dignidade.


E isso, para quem trabalha com hospitalidade verdadeira, nunca é opcional.


Se você deseja transformar sua marca, seu espaço ou seu delivery em uma experiência memorável e sensorial, me escreva: experience@laenecarvalho.com


Vai ser um prazer te ajudar a fazer com que cada entrega também conte uma história!

 
 
 

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